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CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM GESTÃO AMBIENTAL DA FATEC JUNDIAÍ RECEBEU CONCEITO MÁXIMO NO MEC

O Curso de Gestão Ambiental da Fatec Jundiaí tem conceito 5, nota máxima, no Índice Geral de Cursos (IGC) pelo Ministério da Educação, representando uma importante conquista para toda a comunidade acadêmica. O IGC é um importante indicador de qualidade que avalia as instituições de educação superior.

 

O programa abrange disciplinas básicas e aquelas específicas relacionadas à Gestão e Tecnologias Ambientais como as de Estudo de Impacto Ambiental, Licenciamento Ambiental de Poluição Industrial, do Ar, da Água, do Solo, Sonora, dos Sistemas Ecológicos, Gestão de Recursos Hídricos e monitoramento da qualidade ambiental, que acabam interagindo entre si. O curso tem duração de três anos, sendo durante quatro semestres no período vespertino e nos dois últimos semestres à noite.

O curso envolve muita pesquisa, estágios em várias instituições públicas e privadas, pesquisas de iniciação científica e de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), atividades associadas ao estágio, além de participações em projetos diversos em que a Fatec está inserida.

Depois de concluído o curso, o Tecnólogo formado em Gestão Ambiental pode trabalhar em diferentes áreas:

  • Seguir carreira acadêmica, fazendo Pós-Graduação na USP, UNICAMP ou Institutos de Pesquisa;
  • Trabalhar na área pública, em Secretarias de Meio Ambiente, Autarquias, Institutos de Pesquisas, áreas ligadas ao Planejamento Ambiental e Saneamento Básico;
  • Em Organizações da Sociedade Civil, Organizações não governamentais, Conservacionistas ou Preservacionistas;
  • Trabalhar diretamente na área de Gestão Ambiental Empresarial, envolvendo-se em auditorias e produção de Políticas Ambientais Empresariais;
  • Trabalhar como profissional liberal, criando empresas de Projetos de Gestão Ambiental, consultoria, Turismo Ambiental ou, ainda, em projetos de Agricultura Urbana.

Para o coordenador e professor do Curso de GAM, “O maior desafio da Gestão Ambiental que compartilhamos com nossos alunos diz respeito à produção de uma ética coletiva relacionada de maneira ampla à promoção de educação ambiental em várias frentes. Queremos que estas ações ético-profissionais proliferem nos setores privados e públicos, no empreendedorismo individual e, ainda, que nossos alunos saiam daqui como agentes multiplicadores”, esclarece Francisco.

O Curso tem o papel educacional de informar e conscientizar os alunos da importância do profissional gestor ambiental, com o intuito de reverter o cenário preocupante que se encontra o meio ambiente, no âmbito local, regional e global. O curso é bem completo. Os alunos se envolvem e vivenciam na prática várias questões, são projetos de grande relevância nos níveis municipais, estaduais e até federal, e que duram anos com várias turmas participando como estagiários.

Abaixo estão destacados alguns dos projetos desenvolvidos no Curso:

Projeto Zica Vírus - Coorte Jundiaí – Projeto em andamento, começou em 2016, e estão envolvidos 25 estagiários de GAM, 2 de Eventos e 5 de TI e ADS. Envolve não só a Fatec, mas também a Faculdade de Medicina de Jundiaí, UniAnchieta, USP, UNICAMP e universidades estrangeiras. A entidade coordenadora do projeto é a Faculdade de Medicina de Jundiaí que tem um número de 1000 gestantes, que no longo prazo terão acompanhamento, catalogado e assistido. Os estagiários de Gestão Ambiental se envolvem, fazendo um diagnóstico do peridomicílio, para avaliar condições ambientais propícias para a proliferação de vetores. É um dos projetos de destaque da Faculdade, que foi recentemente aprovado pela FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

Projeto de construção de Plano de Manejo para Unidade de Conservação ARIE - Matão Cosmópolis - A Fatec é uma parceira que apoiou e participou na elaboração do plano de manejo dessa unidade de conservação, fazendo um esboço de plano (elaborado por professores e alunos) e, também, avaliando a influência dos planos diretores dos municípios no entorno que são: Cosmópolis, Arthur Nogueira e Paulínia.  Esse plano é de grande importância, pois é de fundamental interesse ecológico, estabelecendo diretrizes e metas de gestão da unidade de conservação. É uma das primeiras unidades de conservação no Brasil.

O Plano de Manejo prevê a existência de uma zona de amortecimento fundamental para a preservação da unidade. Em 2017, a Fatec está se envolvendo na promoção da discussão participativa sobre o plano, especificamente em um Projeto de Educação Ambiental, que é uma atividade dentro do projeto do plano de manejo. Os estudantes estão envolvidos na organização junto às comunidades próximas da unidade de conservação, com o objetivo de discutir o Plano de Manejo de uma maneira participativa. São envolvidas, também, comunidades vizinhas e os governos locais. Projetos futuros estão sendo elaborados, como criar oficinas que serão coordenadas pelo professor Frederico, responsável por essa metodologia.

 

A Fatec e suas parcerias permanentes em projetos

A Fatec tem representantes no Conselho Consultivo da Unidade de Conservação mencionada e possui parceria com o Ministério Público Federal, ao se envolver na produção de pareceres e análises técnicas sobre demanda para casos específicos, como o acompanhamento das políticas municipais de resíduos sólidos em municípios próximos.

Quando o Ministério Público Federal necessita se posicionar sobre a duplicação de uma estrada, na construção de aterros sanitários e outros, a Fatec é acionada. É uma parceria antiga que envolve vários municípios da região de Campinas, alunos e professores.

Esses projetos renderam bons frutos à Fatec e a partir deles vieram outros decorrentes, como:

Projeto do Plano de Monitoramento em Unidades de Conservação e Área de Preservação - Esse projeto iniciou após o convite à Fatec para participar da construção do Plano Diretor de Jundiaí, com o intuito de discutir sobre o tecido urbano da cidade e de que forma evitar a exploração imobiliária desordenada que acontece nas áreas protegidas. A Fatec teve 2 representantes nas discussões da elaboração do plano diretor (PD) da cidade no que diz respeito às áreas protegidas em Jundiaí e ao uso do solo na cidade.

O professor de GAM, Cláudio Cunha e o aluno Natan Solin, representavam a Fatec. Eles se envolveram nesse projeto de elaboração do PD com direito a voto, tendo grande participação no que diz respeito ao aumento das áreas protegidas.

Em relação aos corpos hídricos da cidade e do Brasil, mesmo sabendo que estamos “deitados em berço esplêndido”, o professor Francisco mencionou que temos dois Aquíferos no Brasil de muita relevância, o Guarani, no Estado de São Paulo, e o de Alter do Chão, no Estado do Pará, mas precisamos ter cuidado com a água. Esse cuidado precisa ser ampliado em Jundiaí, também, pois sabemos que regiões rurais e semi-rurais do município estão sendo objeto de interesse de empresas imobiliárias para ampliação da área urbana, o que no geral compromete a proteção dos mananciais.

Jundiaí está em área privilegiada e se insere numa região ecológica bastante importante. Uma boa parte do município é coberta por uma unidade de preservação que é a Serra do Japi, tombada pelo CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico. Jundiaí está geograficamente posicionada do ponto de vista de atenção a políticas de preservação. O Rio Jundiaí corta vários Biomas (Cerrados, Caatinga e Mata Atlântica). Para a Fatec é muito enriquecedor porque nas atividades de campo envolvendo alunos e professores são feitas considerações e esclarecimentos diversos como também a conscientização dos alunos para serem críticos e atuantes quando tornarem-se profissionais da área.

Esse curso faz com que os alunos lancem seu olhar sobre o ambiente em várias direções. Principalmente quando se depararem com questões de exploração imobiliária onde o discurso comum é típico - “Venham viver com a natureza”. O curso mostra aos alunos que esse discurso tem que ser fundamentado.  A supressão da vegetação é fenômeno recorrente e indevidamente tratado durante a ampliação da mancha urbana das cidades e quem compra está sendo conivente com a degradação ecológica.

Projeto de Construção de uma Estação Climatológica – Com base na Plataforma Arduíno serão produzidos sistemas sensores para a estação que será localizada na Fatec Jundiaí. Quatro alunos de GAM estão envolvidos neste importante projeto.

Projeto no DAE - Departamento de Água e Esgoto de Jundiaí - Onde os alunos são envolvidos como estagiários em atividade de gestão de recursos hídricos e proteção aos mananciais de autoria e sob responsabilidade da bióloga Profa. Ma. Cláudia Ap. Longatti.

Projeto com o IAC – Instituto Agronômico de Campinas - Foi um projeto de expressivo conhecimento e parceria, onde os alunos tiveram a oportunidade de estagiar no instituto. Vários alunos, em função desta experiência, trilharam carreira na Pós-Graduação.

Pelas características e projetos mencionados percebemos que o curso de Gestão Ambiental atribui grande responsabilidade para quem o escolhe. A instituição está atenta a isso e procura preparar muito bem os profissionais nesta área, que exige comprometimento, ética e responsabilidade ambiental.

Não se pode falar de responsabilidade ambiental sem citar um grande fato ocorrido nos últimos tempos de grande irresponsabilidade ambiental.

Um dos maiores desastres ecológicos dos últimos tempos e a maior catástrofe ambiental brasileira, a contaminação com lama tóxica que se estendeu da cidade de Mariana, em Minas Gerais, até o Arquipélago de Abrolhos, a chamada tragédia de Mariana. A responsabilidade era de duas das maiores mineradoras do mundo, a Vale e a Anglo Australiana Biliton, que exportam minério de ferro para o mundo todo.

O minério de ferro baixou e para eles ganharem na margem aumentaram a produção. O acidente ocorreu devido ao aumento da produção na potência máxima da extração de minério de ferro e, com isso, a barragem não aguentou, estourando. Esse episódio serviu de discussões no curso, pois mostrou a irresponsabilidade de vários setores da sociedade. Este desastre mostrou a necessidade dos profissionais assumirem, de fato, a gestão ambiental de empreendimentos com alto risco tecnológico e ambiental. Temas como estes são tratados em sala de aula e em seminários a fim de fortalecer discussões sobre ética ambiental.  

O Coordenador do curso de Gestão Ambiental encerra a entrevista enfatizando a importância do discurso ambiental dar um salto, envolvendo uma ética mais coletiva. “A sociedade precisa se questionar e rever suas atitudes. É correto comprar uma camiseta mais barata sabendo-se que foi produzida por mão de obra escrava, semi-escrava ou precarizada? É correto comprar uma casa em área de proteção ambiental ou em área não permitida pelo Plano Diretor? Ainda há tempo de mudar nossos valores e pensar mais. O tempo da gestão ambiental não necessariamente é o tempo do mundo industrial. Aqui está o desafio do Gestor Ambiental.”

Por fim, em relação ao consumismo exagerado de tecnologia, o coordenador do curso mostrou grande preocupação com o meio ambiente, já que muitos produtos intensivos em tecnologia são projetados para não durarem o quanto poderiam. “Há decisões de projeto que faz com que a vida útil de um aparelho ou produto se reduza. Estamos falando da obsolescência programada. Isso também tem a ver com ética. Quando você aceita mudar um projeto para que ele se torne obsoleto em um tempo mais curto, está sendo conivente, ou seja, antiético do ponto de vista do apreço aos recursos ambientais. Sabemos que não conseguimos controlar tudo, mas estamos fazendo nossa parte, transformando pessoas com grande conhecimento para pensar coletivamente na sociedade atual e nas futuras gerações.”

Para mais informações sobre o Curso de Gestão Ambiental, acessar: http://fatecjd.edu.br/site/graduacao/gestao-ambiental

 

Texto: Eliane Diana Nunes - Assessoria de Comunicação Fatec Jundiaí

Publicado e revisado pelo entrevistado em Abril de 2017.  

 

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